Arte e História do Azulejo

Arte e História do Azulejo: Derivado do árabe alzullavcha, que significa “pequena pedra cintilante”, a palavra azulejo não tem nenhuma relação com azul, embora muitas peças da azulejaria sejam confeccionadas nessa cor. Azulejo é uma placa de forma regular, quadrada ou retangular, feita em barro cozido, com uma das faces esmaltada ou vitrificada e dotada de motivos decorativos de uma ou mais cores. Utiliza-se no revestimento de pisos e paredes.

A verdadeira azulejaria é de origem árabe, possivelmente berbere, e foi introduzida na Europa através da península ibérica e da Itália meridional em conseqüência da expansão islamita. A argila cozida e esmaltada já era conhecida no Egito, na Mesopotâmia e na Pérsia, onde se usava em revestimento arquitetônico. Esses tijolos vitrificados podem ser considerados precursores da azulejaria.

A fabricação de azulejos desenvolveu-se principalmente na Espanha, em Portugal, na Itália e, posteriormente, nos Países Baixos, graças sobretudo ao aperfeiçoamento das técnicas de confecção e tintura, à utilização da policromia e à inovação temática, que passou a incluir a figura humana e aspectos da natureza, proibidos aos muçulmanos por preceito religioso.

Azulejaria em Portugal – Chamados caixilhos, os primeiros azulejos fabricados em Portugal datam do século XVI, quando apresentavam uma única cor e arranjos decorativos enxadrezados. Surgiram mais tarde os de lacaria, em três cores e com ornamentação abstrata. Do século XVII em diante passaram a predominar as peças em azul e branco. Antônio de Oliveira Bernardes criou o azulejo artístico português, figurado. Os painéis figurados foram freqüentes até 1740, quando houve um recuo à azulejaria mais singela. Ainda no século XVIII apareceram os azulejos de grinalda e os de rosácea. No século XIX, surgiu o azulejo estampilhado, produto semi-industrial com motivos florais, policrômico ou azul e branco.

Azulejo no Brasil – Encontram-se azulejos em diversos estados brasileiros, especialmente na Bahia, Pernambuco, Maranhão e Rio de Janeiro. A maior parte das peças do período colonial provém de Portugal, embora se encontrem exemplares holandeses, como os da igreja de Santo Antônio, no Recife. Após a independência, sem que cessasse a importação de peças portuguesas, começaram a chegar ao país azulejos de procedência francesa, alemã e, mais raramente, belga.

Os primeiros azulejos fabricados no Brasil são de Niterói RJ, por volta de 1861. Entre os mais belos exemplares encontrados no Brasil citam-se os do claustro da igreja de São Francisco, em Salvador; os da Capela Dourada, em Recife; os da igreja da Misericórdia, em Olinda; os do convento de Santo Antônio, em Belém; e os da igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro. Já no século XX, arquitetos de renome como Lúcio Costa restabeleceram o uso do azulejaria no revestimento arquitetônico. Exemplo do emprego contemporâneo do azulejo são os painéis executados por Cândido Portinari e Paulo Rossi Osir no edifício do antigo Ministério da Educação (hoje palácio Gustavo Capanema), no Rio de Janeiro.